Gabriela Cuentro: Tendências do design para atividades diárias em ambientes fechados.


Estávamos vivendo tempos voláteis, altos números de informações nas redes sociais, agendas cheias, muitos eventos, consumo em excesso pelas facilidades de compras, falta de tempo e relações superficiais, que, segundo Zygmunt Bauman, são características de uma modernidade líquida, termo criado pelo filósofo e sociólogo. O modo de vida que a própria cidade condiciona na metrópole, onde convive-se com grandes deslocamentos e trânsitos, com o anonimato, a provisoriedade, as inúmeras possibilidades de contatos, também fortaleceu esse comportamento individualista, deixando em segundo plano relações que antes eram primordiais, como um simples contato com vizinhos e uma atenção especial com a própria casa. Essa última, veio sofrendo nas duas últimas décadas alterações, adaptando-se a esses hábitos acelerados, através de apartamentos menores, onde, por exemplo, os lares eram quase que apenas dormitórios, com pouco tempo de permanência gasto ali, como consequência disso, pouco espaço.

De repente, tudo parou. Precisou-se frear todo ritmo acelerado por causa da pandemia,  e a casa voltou a ser o centro de todas as atividades das vidas das pessoas. Espaços para exercícios, um cantinho para plantas, a cozinha sendo usada mais vezes do que o normal, local para higienização de alimentos, o tão necessário espaço para trabalhar de maneira agradável, locais para novos aparelhos eletrônicos destinados ao lazer, espaço para meditação, entre outras demandas que se tornaram prioritárias para permanecer em casa a maior parte do tempo. 

Do ponto de vista da ausência do contato físico, convivemos com algumas soluções do design que, ao longo do tempo, se tornaram bem comuns, como descargas e acionamentos de torneiras nos banheiros por sensores; portas automáticas em shoppings, aeroportos, bancos; conexões por bluetooth e não mais através de cabos; automações residenciais com o uso de smartphones; pagamentos com aproximação de cartões; comandos de voz; reconhecimento facial, entre outros.

É nesse contexto, de atender às novas necessidades impostas pela pandemia do COVID-19, que estudos e pesquisas começaram a ser realizados, e tendências surgem no campo do design, trazendo inovação, tecnologia e estética ao mercado, conforme nos exemplos citados abaixo.


Purificador de roupas portátil com gás ozônio

O PURA-CASE é um purificador de roupas portátil que usa ozônio para remover grande parte dos  microorganismos, vírus e bactérias presentes nas roupas. Consiste em uma estrutura de uma caixa com capa, feita com tecidos sustentáveis tratados para manter o gás ozônio em sua parte interna. Seu sistema de purificação de ar penetra e desodoriza as roupas, e pode ser colocado dentro do guarda-roupa, ou em algum outro local da casa, e até transportado. Além disso, possui o acionamento via smartphone.

O projeto foi desenvolvido por Carlo Ratti Associati, estúdio italiano de design e inovação, em parceria com a Scribit, uma startup que desenvolve robôs industriais.

Leia mais em: https://www.pura-case.com/

Luminária de mesa para limpeza de ambiente

Através de um processo que utiliza nanopartículas de dióxido de titânio para limpar compostos orgânicos voláteis no ambiente, a Guilian Lamp, criada pela marca italiana SUGO Biophilia Creation e vendida pela ArtLing, além de luminária, é um purificador de ar que quando exposto a qualquer fonte de luz ultravioleta, como o sol, possui  propriedade oxidante de tratamento, e decompõe substâncias orgânicas nocivas, como vírus, bactérias e bolor na superfície. E ainda é uma peça de design que traz sofisticação a qualquer ambiente como elemento decorativo.


Leia mais em: https://www.iamsugo.com/designs/guilin-lampscape-215-funded-on-kickstarter-2020

 Mobiliário flexível e transportável

A marca de móveis dinamarquesa Stykka, entendendo essa demanda de mercado que é a do home office, lançou uma mesa desmontável e de fácil transporte dentro ou fora do lar. A mesa é composta por 03 peças de papelão que se encaixam facilmente, e possui as seguintes dimensões total: largura 1,20m, altura 0,75m, profundidade, e pesando 3,8kg, e pode ser montada em questão de minutos. Além disso, a marca tem como valores a sustentabilidade, transparência e inteligência, sendo essa peça 100% reciclável.

Leia mais em: https://www.stykka.com/products/staythefhomedesk


Mobiliário personalizado para qualquer marca

Também na área de design de móveis, a marca alemã Mutabor entendeu que, nos últimos anos, cada vez mais os ambientes de escritórios estavam se transformando em um cenário parecido com de uma casa. Com intuito de fazer com que os funcionários se sentissem bem no ambiente de trabalho, mais a vontade, e consequentemente, fazendo com que estes passassem mais tempo lá. Agora os papéis inverteram. Cada pessoa fez de um canto da casa o seu próprio escritório, e para algumas profissões, trazer a marca que trabalha para seu ambiente de home office faz toda diferença, como forma de manter uma linguagem corporativa com os clientes. Dessa forma, o escritório de design, transformação e comunicação criou um sistema modular de móveis e acessórios que se adaptam ao ambiente e a necessidade do consumidor. Fazem parte desse sistema um armário móvel com painéis acoplados e rodízio na base e um tripé para apresentações digitais. Esses móveis, ao final do dia, se tornam também úteis para outras funções no lar.


Leia mais em: https://www.mutabor.de/project/branded-homeoffice/

Esses são apenas alguns exemplos do que os escritórios andam trazendo como novas alternativas a sociedade. A tecnologia e o design são grande aliados no contexto que estamos inseridos no momento, melhorando nossas atividades diárias e diminuindo interações anti-higiênicas.

Cita: Bauman, Z. (2001). Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar.

Referência de imagens: 

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Para mais dicas e informações: @gabrielacuentro

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