CONSTRUINDO VERDE | Práticas sustentáveis no canteiro de obra


organização: Gabriela Cuentro

No nosso último texto da série Construindo Verde, baseado no material “Vamos construir verde? -  Guia Prático para edificações, espaços públicos e canteiros sustentáveis no Brasil”, elaborado pelo Banco de Desenvolvimento Interamericano, falaremos um pouco sobre práticas sustentáveis no canteiro de obra, como forma de dar continuidade a todas as etapas de uma construção sustentável, que se iniciou na elaboração do projeto, e que, como já comentamos no matéria sobre as edificações verdes, também não se encerra ao término da obra. 

Dessa forma, o tema voltado para o canteiro de obra sustentável leva em consideração algumas práticas no que diz respeito a gestão da qualidade da obra, consumo de recursos naturais, gestão de fornecedores, poluição e impactos ambientais, assim como sobre as instalações temporárias utilizadas durante esse período.

1. GESTÃO DA QUALIDADE DE OBRA

A gestão da qualidade de obra visa gerar uma obra mais limpa e com um maior controle de processos, serviços e materiais. Possibilita as edificações ou obras de infraestrutura de melhor qualidade, com produtos mais duráveis e menos manutenções ao longo de seu ciclo de vida. O do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) é um programa do governo brasileiro que tem o objetivo de melhorar a qualidade do setor da construção civil e ao mesmo tempo estimular a modernização produtiva através da implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ).

2. CONSUMO DE RECURSOS NATURAIS E MATERIAIS

A água, a energia e os agregados naturais (areia, brita e etc) são os principais recursos naturais utilizados na construção de uma edificação. Diante disso, o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat tornou obrigatório o monitoramento de indicadores de consumo desses recursos, a fim de medir o consumo desses em diferentes etapas da obra. Na tabela abaixo traz um exemplo de controle, com intuito de trazer a melhoria contínua do ponto de vista da sustentabilidade, a partir do momento que se identifica onde se encontra o maior consumo, trazer melhorias para a obra.

fonte: guia prático – BDI

3. GESTÃO DE FORNECEDORES

Pelo fato de grande parte dos impactos ambientais, sociais e econômicos estarem ligados aos materiais utilizados em uma obra, o mais importante na gestão de fornecedores é levar em conta alguns critérios para compras sustentáveis. Alguns deles são analisar bem: materiais recicláveis, que possam ser reutilizados; procedentes de fontes renováveis; materiais disponíveis nas proximidades do canteiro ou com baixa energia; emissões e água incorporada, baixa ou nenhuma emissão de material particulado; compostos orgânicos voláteis (COVs), fibras cancerígenas ou substâncias tóxicas que possam ser emitidas para o ambiente interno; formalidade da procedência de todos os insumos de origem natural renovável e não renovável.

4. GESTÃO DA POLUIÇÃO E IMPACTOS AMBIENTAIS

Para uma boa gestão dos Resíduos da Construção e Demolição (RDC), é imprescindível ter uma boa segregação e armazenamento dos diferentes resíduos gerados, para possibilitar e facilitar a destinação final. Para isso, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA)  os classifica basicamente em quatro tipos (A, B, C e D), de acordo com as resoluções 307/2002, 348/2004, 431/2011 , 448/2012  e 469/2015 . Para uma boa gestão dos RCD, é imprescindível ter uma boa segregação e armazenamento dos diferentes resíduos gerados, para possibilitar e facilitar a destinação final. Os locais de armazenamento devem estar bem identificados para a correta separação dos resíduos.

fonte: guia prático – BDI

5. INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS E NOVAS TECNOLOGIAS

 Apesar do caráter provisório das instalações utilizadas durante o período de obra, essas podem ser aliadas ao propósito sustentável de uma construção, como através do uso de containers prontos, já que são de rápida montagem e baixa produção de resíduos. Reaproveitamento de água, utilização de lâmpadas de LED são elementos que contribuem com o meio ambiente, como já vimos anteriormente.

Sobre novas tecnologias, o uso de ferramentas como a realidade virtual, BIM e drones, tendem a auxiliar no processo de orçamento, planejamento e execução da obra, além de gerar menores perdas e evitar desperdício de materiais.

 

Fiquem ligados nas próximas séries e até a próxima!

 

Cita:

Vamos construir verde?: guia prático para edificações, espaços públicos e canteiros sustentáveis no Brasil / Esperanza González-Mahecha, Livia Minoja, Lucas Rosse Caldas, Clementine Tribouillard.


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