CONSTRUINDO VERDE | Edificações verdes e soluções tecnológicas


organização: Gabriela Cuentro

Dando continuidade ao tema de sustentabilidade, nesse artigo, traremos algumas soluções tecnológicas que podem ser adotadas nas edificações, a fim de trazer o caráter sustentável tão importante para a construção civil, como visto na matéria passada, por ser o setor que mais produz a maior do CO2 no mundo. São elementos e técnicas disponíveis atualmente no mercado brasileiro, e que foram abordados no Vamos construir verde? -  Guia Prático para edificações, espaços públicos e canteiros sustentáveis no Brasil, elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolviment (BID).

Com fins didáticos, essas soluções foram divididas em 03 grandes aspectos:

1. Energia: aspectos responsáveis pela redução do consumo energético e implementação de sistemas de energia renovável nos edifícios;

2. Água: aspectos responsáveis pela a redução do consumo e o reuso da água;

3. Materiais: escolha de materiais construtivos sustentáveis;

Não obstante toda informação trazida pelo guia, vale salientar a importância de ter uma equipe especializada e multidisciplinar de projeto para o desenvolvimento do mesmo.

1. ENERGIA

foto: Science in HD

Para abordar o tema da energia nas edificações, é importante trabalhar primeiro a eficiência energética do edifício, diminuir a energia demandada, e posteriormente, avaliar a possibilidade de implementação de sistemas de energia renovável no prédio, a fim de satisfazer à demanda restante. Para diminuir o consumo energético nas edificações, existem três tipos de estratégias:

  • Soluções passivas de desenho: são aquelas adotadas na fase de elaboração do projeto arquitetônico com o intuito de aproveitar ao máximo as características do ambiente (contexto local) em que o edifício está inserido, a fim de minimizar a necessidade de consumo de energia. São algumas delas: estudo da orientação do edifício e forma do edifício, altura do pé-direito, ventilação natural, proteção/aproveitamento do sol através de elementos como telhados e paredes com tintas brancas ou refletivas, sombreamento natural dispositivos de sombreamento externos; isolamento térmico em fachadas e coberturas utilizando-se de estratégias como forro isolante, fachadas ventiladas, fachadas de pele dupla, telhados verdes e fachadas verdes.
  • Soluções tecnológicas ativas: uma vez que o edifício tenha sido projetado ou adaptado para reduzir a demanda de energia pelo aproveitamento das características do entorno, ele pode ser equipado com tecnologias eficientes energeticamente que complementem seu objetivo sustentável, como lâmpadas de led, controles de iluminação, detectores de ocupação ou sensores fotoelétricos.
  • Sensibilização de usuários: além dos elementos de infraestrutura, é possível aliar a estes, hábitos no comportamento dos usuários que visem diminuir o consumo energético. São eles: aproveitamento de luz natural, desligamento de aparelhos da tomada quando não estiverem sendo usados, assim como apagar luzes quando também não se estiver no ambiente, fechar as portas dos ambientes para reduzir o “esforço” do ar condicionado em operação, entre outras formas atitudes.

Se possível, verificar a possibilidade de incorporar sistema de energia renovável no edifício. Algumas opções são através do aquecimento solar de água, sistemas de painéis fotovoltaicos, mini/ microgeração eólica, pequenas centrais hidroelétricas (PCH).

2. ÁGUA

foto: unsplash

O elevado consumo de água tem sido causado pelo desenvolvimento econômico nas atividades econômicas intensivas em água, no aumento da população e no processo de urbanização do país, e responsável pela sobrecarga na disponibilidade hídrica no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste.

Com o objetivo de preservar esse recurso e minimizar futuros e maiores danos, algumas técnicas podem ser adotadas no abastecimento e consumo de água. São elas:

  • Medição individualizada de água através do uso de um hidrômetro para cada unidade habitacional, levando a uma economia de 30% a 60% no condomínio.
  • Aparelhos economizadores de água que utilizam tecnologias que funcionam controlando a vazão de água, reduzindo, assim, o desperdício, como torneiras, arejadores, bacias sanitárias com acionamento duplo, entre outros.
  • Aproveitamento de águas pluviais através da captação e do armazenamento para consumo não potável das águas.
  • Reuso de águas cinzas, que são aquelas provenientes de banhos, máquinas de lavar e lavatórios de banheiro, as quais não têm contato com fezes e urina. Essas podem ser usadas para descargas de bacias sanitárias, rega de jardins, limpeza de pisos, entre outros aproveitamentos.

3. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO


foto: Tiago Alves

Outro aspecto é muito importante no projeto de um edifício verde: a busca por materiais que estejam alinhados com o caráter sustentável da construção. Para isso, é preciso estar atento ao ciclo de vida do material, “analisar não somente seus custos, mas também os impactos ambientais, sociais e econômicos associados com produção, transporte, consumo e descarte desses materiais.”

  • Conservação de materiais: Consiste na redução do uso de materiais, sendo preferível optar por reciclados. Essa redução pode se dar por estratégias de diversos níveis, como: planejamento de cidades compactas, com a intenção de reduzir a construção de infraestrutura, reutilização de edifícios já construídos ou de materiais de demolição, desenho de edifícios flexíveis, entre outros.               
  • Materiais ecológicos: O uso de materiais de construção com menor pegada de carbono do que os materiais tradicionais. Recomenda-se, quando disponível, comparar a Declaração Ambiental de Produto (baseado na norma NBR ISSO 14025) que fornece informação sobre o impacto ambiental ao longo de todo o ciclo de vida. Alguns exemplos de materiais são: madeira plantada ou certificada, bambu, tijolos ecológicos, adobe e materiais inteligentes.
  • Gestão e redução dos desperdícios: O uso de sistemas construtivos inovadores é um grande aliado para redução de resíduos sólidos durante o ciclo de vida do edifício. Atualmente no Brasil, as startups Construtechs vem ganhando cada vez mais espaço na construção civil com soluções tecnológicas de materiais e sistemas inovadores que trazem benefícios ambientais importantes, como o concreto celular termoacústico desenvolvido pela startup alagoana Isobloco.

ETIQUETAGENS E CERTIFICAÇÕES

As etiquetagens e certificações estão disponíveis no mercado mundial a fim de trazer garantias quanto a sustentabilidade dos edifícios, segundo critérios estabelecidos por elas. Algumas delas são: PBE Edifica, Selo Casa Azul, EDIF São Paulo AQUA-HQE, EDGE, LEED, BREEAM.

 

Fique ligado nas próximas matérias: Espaços urbanos públicos; Canteiro de Obra. 

Até a próxima! 

 

Cita:

Vamos construir verde?: guia prático para edificações, espaços públicos e canteiros sustentáveis no Brasil / Esperanza González-Mahecha, Livia Minoja, Lucas Rosse Caldas, Clementine Tribouillard.


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