Briefing e Moodboard: Estratégias para concepção projetual


Então, vamos entender um pouco mais sobre este tema?

Ter um projeto alinhado ao programa de necessidades e expectativas do cliente é primordial, correto? E para isso o profissional (arquiteto e urbanista, engenheiro, designer de interiores, entre outros) precisa saber colher informações acerca de seus clientes, seu estilo de vida e necessidades para que o partido conceitual do projeto seja o mais adequado possível. Dentre os processos envolvidos nas etapas do projeto há estratégias que podem tornar o trabalho do profissional e o entendimento do cliente mais claros. Algumas dessas estratégias está no uso do Briefing e do Moodboard. Mas afinal, o que são esses dois termos?

No projeto de arquitetura, Briefing diz respeito ao Programa de Necessidades, podendo variar de acordo com o tipo de projeto, complexidade e informações, sendo parte do Estudo Preliminar (primeira etapa de um projeto). Trata-se do ato de dar informações e instruções concisas e objetivas sobre missão ou tarefa a ser executada. Assim, nesta etapa inicial do projeto, o cliente vai informar quais são os seus sonhos e expectativas em relação ao projeto, sendo de extrema importância o maior número possível de dados. Esta etapa pode ocorrer seja por uma conversa ou como na aplicação de questionário em forma de check list, por exemplo, sendo esta a forma mais prática de fazer o briefing. Entretanto, é preciso que o Briefing seja bem elaborado para que haja um resultado mais favorável às expectativas e ao sucesso do projeto. Ou seja, é umas etapas mais decisivas para a concepção do projeto e para seu resultado. Lembrar que cada cliente tem suas especificidades e desejos é essencial e o arquiteto deve saber registrar essas informações dependendo do tipo de projeto e demandas que ele carrega.

Não há um modelo padrão com regras a serem seguidas na criação de um Briefing, variando de acordo com a forma que mais se adequada ao trabalho do profissional. Minha sugestão é aplicar um questionário, pois fica registrado para todas as partes envolvidas no projeto além de ser uma ferramenta organizada e prática, diferentemente de uma conversa aberta, por exemplo. Além disso, a depender do tipo de projeto (construção, reforma, decoração, entre outros) e do seu uso (residencial, comercial, serviço), o arquiteto pode direcionar os questionamentos. Portanto, há diferenças entre o briefing de design de interiores e o de projetos arquitetônicos. Em projetos de interiores, o briefing e sua composição pode ser mais individual enquanto no projeto de arquitetura questões mais voltadas ao imóvel como um todo.

Por exemplo, para o projeto de construção de uma casa é importante o entendimento da dinâmica de toda a família, suas necessidades e gostos, além de dados sobre o terreno (clima, localização, topografia, dimensões, entre outros dados). Em se tratando de um briefing para projeto de interiores de uso residencial, sugiro incluir tópicos mais específicos como, por exemplo: Quantidade de pessoas que moram na casa; Suas idades; Hobbies (por exemplo, se gostam de cozinhar ou assistir muita TV); Rotina; Onde trabalham (e a relação com home office, por exemplo); Cores e materiais que eles gostam; Frequência de uso de cada ambiente; Estilos de decoração favoritos; Suas necessidades de iluminação para cada ambiente; Se há algum animal de estimação; Se alguém é alérgico a algum material; Planos futuros da família e/ou imóvel; Se gostam de plantas; Qual a disponibilidade orçamentária, entre outros tópicos, torna possível traçar o perfil do cliente e diminui o retrabalho do projeto.

Outra sugestão é incluir um pedido para que os clientes enviem referências do que ele gostaria ou não de ver em seu projeto, ajudando o arquiteto a entender mais ainda o cliente e suas expectativas e uma forma de entender mais o gosto do cliente. Assim, já pode se iniciar também o processo de criação de um Moodboard, outra ferramenta super interessante de se usar no projeto para captar a essência do cliente e apresentar as propostas.

Mas o que é moodboard? Traduz-se como “painel de imagens conceituais”, “painel semântico”, “prancha criativa e/ou de inspiração”, que traduz visualmente a atmosfera, o “clima” (mood) de um ambiente. É um recurso utilizado por arquitetos e designers de interiores para ajudar na escolha de materiais, cores, texturas e estilos para compor o projeto.  Pode ser feito tanto por recortes de imagens ou com objetos físicos como amostras de cores, cerâmicas, madeira, estampas, mobiliário, entre outros, ou pode ser feito digitalmente.

A utilização de um moodboard ajuda a organizar visualmente um conceito ou estilo, facilitando o entendimento dos clientes e o processo criativo do profissional responsável. Serve, portanto, para definir o estilo do cliente e traduzir visualmente o conceito que muitas vezes o cliente não consegue expor apenas em palavras. Assim, o moodboard juntamente do briefing podem servir como o pontapé essencial para o projeto. Além disso, a criação de um painel semântico é um exercício excelente para a criatividade do profissional, que testa combinações, conhece novos materiais, formas e texturas.

Para sua elaboração, algumas dicas: Defina a paleta de cores; reúna referências (podendo ser físicas ou digitais como o uso do Pinterest, aplicativos como o Morpholio, Arqviu etc   ou softwares como Photoshop, por exemplo); Faça a composição e combinação e, ao final, o revise e registre (seja digitalmente ou analogicamente). Além disso, como mencionado anteriormente, o cliente pode trazer referências próprias, objetos pessoais, recortes de revista, materiais e outros elementos que ajudem a compor o moodboard. Assim, sendo uma ótima forma de trocar ideias com seu cliente.

Em todo este processo é importante a ressalva da importância da psicologia ambiental no projeto. Afinal, entender as necessidades e expectativas do cliente e buscar traduzir isto em um projeto demanda um entendimento de como o ambiente pode interferir no usuário e o que ele pode trazer de sensações. A multidisciplinaridade do campo de trabalho do arquiteto, juntamente com o entendimento e apreensão completos do briefing do cliente para unir funcionalidade e estética a um projeto e a tradução dele em ferramentas como o moodboard irão refletir substancialmente no sucesso do projeto.

É sobre alinhar necessidades e gostos (estética) com a funcionalidade demandada. Como resultado, um ambiente agradável, cumprindo sua função e gerando sensações de bem-estar e satisfação do usuário sobre o ambiente construído, para a construção de memórias afetivas que farão toda a diferença no ato que é o de tirar as ideias do papel e projetar.

Até mais!

Para mais informações confira: https://linktr.ee/MGNumerianoArq  (instagram @mgnumeriano.arq)

 


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